Dúvidas e inquietações cotidianas que não estão nos livros – Parte 1: Precificação

Em nossa trajetória em projetos, ao mesmo tempo que estudamos teorias e métodos, nos deparamos com dificuldades e adversidades que vão aparecendo gradual e lentamente. A cada momento temos a oportunidade de refletir sobre uma nova contrariedade. Diversas vezes entrei em conflito entre o que estava estudando e os obstáculos que surgiam.  Em busca de materiais, artigos e autores para buscar entender esses entraves, me deparei com conteúdos em abundância, onde a não aplicação de métodos justificavam o acontecimento dos problemas, e sabemos que não é bem assim, tendo em vista que os métodos e teorias não dão conta de toda a complexidade do dia a dia.

Tendo isso em vista, a ideia deste artigo de três partes é abordar problemas cotidianos, passar pelo ágil, fazer reflexões e no final “brincarmos” um pouco com cenários de alocação, montagem de times, e toda essa parte que é muito oportuna, bem peculiar de cada contexto e ainda em constante descoberta. Vamos lá!

O começo de tudo

A primeira variável quando falamos de projetos ágeis começa lá na ponta, que seria a venda do projeto. Projetos com preço, prazo e escopo fixo devem ser rentáveis e gerenciados a fim de concluir o seu acordado nas linhas estabelecidas (linhas de base). Caso a troca de prioridades não seja uma possibilidade para o cliente, complementos e evoluções fora dessas limitações devem ser ponderados e absorvidos com bom senso e limites, mesmo que agreguem valor ao projeto.

O exemplo acima normalmente gera alguns atritos, pois como sabemos, projetos são orgânicos e alguns exemplos evidenciam isso, como: oportunidades de melhorias identificadas durante o projeto; pequenas diferenças de expectativa quando se materializa o intangível; requisitos essenciais que às vezes não foram mapeados pelo cliente no início do projeto (natural e acontece), etc. Neste sentido, a venda de projetos por sprints, horas e outros modelos mais flexíveis a mudanças, evitam ruídos desnecessários, facilitam a colaboração mútua, melhoram as relações interpessoais e maximizam o valor do projeto.

O primeiro desafio concreto é conseguir realizar a venda dessa forma. Boa parte dos clientes precisam ser educados em como funcionam estes modelos mais flexíveis e seus benefícios, o que é um processo complicado devido a como as negociações comerciais estão enraizadas. Normalmente quem contrata já possui uma ideia formada (e muitas vezes fechada) do que quer (requisitos definidos), prazo (quando precisa) e do quanto está disposto a pagar (normalmente preço cheio e fixo). Na prática é difícil inverter essa ótica quando o outro lado possui uma concepção estabelecida. Ao mesmo tempo que isso ocorre, não dá para deixar de fechar um projeto (muitas vezes uma boa oportunidade) em prol da aplicação de um modelo de precificação mais flexível, para por conseguinte aplicação da gestão de projeto desejada.

Já trabalhei em projeto com um modelo mais flexível de precificação, prazo e escopo e a experiência foi ótima em diversos aspectos, contudo havia um detalhe: o contratante já veio de uma cultura e conhecimento profundo de ágil e solicitou que a precificação fosse dessa forma.

Dando sequência, deixo a pergunta. “É possível implementar ritos, montagem de times e sprints sem que a precificação facilite isso?”. Siiiim, é possível! Ainda é possível colher todos os benefícios desse tipo de implementação, entretanto temos de ter noção das restrições que mencionamos acima e tomar cuidado para não “trabalhar de graça”. Quando um projeto possui preço fixo, isso quer dizer que houve uma estimativa em cima de um trabalho a ser realizado, portanto evoluções constantes (mesmo que em prol de valor no projeto) podem ser danosas se não substituídas por trabalhos do escopo original ou precificadas a parte.

No artigo seguinte, vamos falar um pouco mais sobre como uma boa montagem de times pode ter grande impacto nos projetos.


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