Gerenciar projetos é diretamente gerenciar expectativas de muitos lugares (empresas, parceiros, colaboradores, concorrentes), de muitos níveis (diretores, sócios, investidores) e de diversos perfis de profissionais envolvidos durante a execução deste projeto, o que podemos considerar normal na atividade do Gerente de Projetos.

Entre essas atividades temos uma que em algumas estruturas é o principal fator a ser gerenciado, que é o fator financeiro e sendo direto, é se aquele projeto está ou não sendo lucrativo para a empresa, o que é diferente de rentabilidade (já abordamos esse tema em um artigo anterior)

Este tema é algo que neste artigo não conseguiremos abordar sob todos os pontos de vista que podem ser discutidos, porém o viés de muitas estruturas é  aplicar o fator financeiro como o único que pode gerar valor para o projeto, deixando de lado todos os outros que podem ser construídos durante a processo, como o compartilhamento de experiências entre os profissionais, o crescimento destes profissionais seja ele pessoal ou relacionado a sua atividade, a motivação por cada etapa de trabalho entregue, o trabalho em equipe, o coaching dos líderes, e o que considero mais importante: a satisfação do cliente pela expectativa atendida, o projeto entregue no prazo com a qualidade esperada. Esse é o fator principal de qualquer atividade que envolva a prestação de serviço.

O que observo em discussões com alguns Gerentes de Projeto, neste caso falando dos que atuam em agências de publicidade, que em algumas situações devido ao modelo de negócio a agência passa a se preocupar mais com os fatores internos do projeto do que com a percepção do cliente sobre ele. O tema é delicado, e a hipocrisia não pode ser artifício para ignorarmos que lucro é importante então desconsiderar o fator financeiro é acreditar numa utopia, porém fazer deste o item mais importante é desconsiderar os diversos outros fatores intangíveis que envolvem a gestão de um projeto.

Podemos constatar hoje que a movimentação das pessoas pelas empresas, ou seja, o que motiva um profissional a aceitar outro proposta de trabalho, cada vez mais esta ligada aos valores transmitidos para o seu crescimento e aqueles transmitidos para sociedade, e sabemos que as iniciativas que mais se desenvolvem hoje são aqueles voltados para a colaboração e compartilhamento de algum conteúdo ou atividade relevante para as pessoas e para a sociedade. Sabendo disso, uma empresa que se pauta pela busca financeira como principal premissa também transmite aos colaboradores essa crença.

Para fortalecer esse discurso o portal adNEWS publicou recentemente matéria onde aponta o que os jovens publicitários buscam das agências de publicidade e o resultado apresenta pontos intimamente ligados ao tema deste artigo, alguns deles são: ambiente favorável ao desenvolvimento de amizades e não apenas profissional, suporte dos líderes, liberdade de pensamento crítico, ambiente que possibilite a interação de profissionais de diversas áreas e de níveis hierárquicos distantes.
Os gestores das agências também foram ouvidos, e mostra um outro lado destes jovens profissionais que é a ansiedade, o crescimento rápido.
Veja a matéria completa clicando aqui.

Apenas relembrando que o fator financeiro é pauta de qualquer empresa, é objeto de estudo e de planejamento constante, mas a busca cega por ele desconsidera vários outros fatores mais importante no desenvolvimento de qualquer atividade, como o fator de colaboração presente em todas as ações que acontecem hoje no mercado, seja ela de uma iniciativa privada ou civil.

Acredito então que é importante também que seja pauta das discussões das empresas os valores intangíveis que são tão ou maiores em importância do que apenas o lucro.

Sobre o Autor

Fomento o compartilhamento do conhecimento, da experiência como entrega prática e da conexão como a transformação real. Fundador do Instituto Mestre GP, também atua como professor.

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