O evento discutiu quatro temas principais: agile, inovação, transformação digital e consultoria

 

*Por Bianca Borges e Gabriela Manzini 

 

O Projetos encontra Projetos 2019, evento promovido pelo Instituto Mestre GP, que aconteceu no dia 30 de abril, em São Paulo, reuniu especialistas do mercado com o intuito de conectar a indústria da publicidade à outras áreas e, ao mesmo tempo, ampliar o debate em torno da cultura de Gestão e de Projetos. O evento foi dividido em quatro temas principais: metodologia ágil, inovação, consultoria e transformação digital.

Especialistas do mercado discutem as práticas para implantan a metodologia ágil e a inovação dentro das organizações

 

Agile

O primeiro palestrante, Ramon Barbosa, Agile Coach na Stone Pagamentos, falou sobre como implantar a metodologia ágil em uma empresa e iniciou seu discurso dizendo que agilidade é uma filosofia.

“É preciso mudar a cultura da empresa para adotar a metodologia ágil. Em muitas empresas o modelo ágil apenas mudou a estética da organização, mas não a cultura em si. [Para surtir efeito] a agilidade precisa estar baseada na premissa de que tudo muda o tempo todo. Então não adianta a gente colocar processos fechados que são autocontidos para trabalhar em um mundo em transformação, explicou.

Barbosa também destacou quatro, dos 12 princípios do Manifesto Ágil, que considera os principais:

  1. É preciso valorizar mais os indivíduos e interações entre as equipes de uma organização do que processos e ferramentas;
  2. É mais importante ter um produto fácil e intuitivo do que uma documentação que discorra sobre todos os seus detalhes e funções. Afinal, o cliente não vai ficar lendo o seu manual;
  3. Prefira a colaboração com o cliente mais que a negociação de contratos. Seja um parceiro do seu cliente;
  4. É necessário enxergar o planejamento como um guia para as ações, mas é preciso ter flexibilidade para fazer mudanças rápidas conforme os acontecimentos.

Barbosa também deu uma dica para as empresas que querem implantar o agile com sucesso:

Nossa maior prioridade é satisfazer o consumidor, através da entrega adiantada e contínua de valor para ele. O time ágil precisar estar focado no cliente.”

Ainda sobre a implementação da metodologia ágil, Thiago Lentini da Jüssi compartilhou como a empresa conseguiu ter sucesso nesse processo:

“Pegamos um projeto, estudamos a metodologia agile, montamos um squad e deixamos esse projeto de implementação de método ágil apenas com esse time de oito pessoas Percebemos que um squad de oito pessoas estava entregando mais coisas que um time de 16. A partir disso, mais colaboradores da empresa se interessaram em começar a trabalhar com o método ágil. Para mim, essa é a melhor forma de implantar a metodologia ágil, começando aos poucos”.

 

Inovação

O segundo tema debatido durante o evento foi a questão da inovação. Samantha Schwarz, Gerente de Inovação da Big Brands, começou dizendo que muitas empresas querem inovar, mas nem todas estão preparadas para isso. No desafio rumo ao sucesso da inovação, a implementação da ideia é uma parte crucial.

“O primeiro desafio para fazer uma ideia dar certo é a maneira como você vai implementá-la”, salientou a executiva.

Durante sua palestra, a Gerente de Inovação também citou algumas ações que podem facilitar a aderência à novas ideias e inclusive o sucesso delas. Entre elas: entender exatamente como funciona a operação da empresa para minimizar qualquer erro que possa acontecer e investir na gestão de pessoas como um todo, englobando tanto a equipe interna, o cliente, fornecedores e etc.

Samantha terminou sua apresentação ressaltando a importância da comunicação entre as equipes de uma organização:

“A coisa mais importante do mundo é a comunicação que você tem com seus fornecedores, clientes e colaboradores da sua empresa. Quanto mais claro você tem um raciocínio, e possui todo o time engajado no seu projeto, mais você consegue entregar o projeto com eficiência e atingir o seu objetivo”.

 

Transformação Digital

Emendando sobre os desafios da mudança de modelos de gestão tradicionais para métodos ágeis, Luiz Henrique Barros, gerente de Transformação Digital na Vivo, e Marcio Reis, Transformation Manager na PwC, trouxeram visões diferentes de como estão passando por esses processos com foco na Transformação Digital.

Ficou claro que as mudanças que ocorrem hoje no mundo dos “GPs” (gerentes de projeto” estão interligadas às mudanças organizacionais que as próprias empresas estão passando frente à Transformação Digital. E, neste caso, métodos ágeis vêm como uma forma de ajudar a tornar a mudança de processos operacionais mais fluídos.

Para Barros, da Vivo, os desafios na gestão de projetos dessa empresa com o novo mindset de mercado giram em torno de estratégias, stakeholders, idiomas (pois pode envolver pessoas de diferentes países), moeda e regulamentação. Das principais mudanças significativas nas características do PMO Corporativo, destacam-se:

  • O fluxo de valor, que foi de dentro para fora, ou seja, da empresa para o cliente, para um formato mais equilibrado, que pensa mais em colaboração e co-criação com o cliente;
  • A baixa colaboração e engajamento dos envolvidos internamente;
  • Desvio da proposta de valor e entrega dos projetos, que acarretam em retrabalhos e reprovações constantes;
  • E longos prazos de desenvolvimento e entrega, que contém poucos pontos de contato para verificação de dados do projeto.

“A transformação da Vivo veio através de uma visão holística. A Transformação Digital é [feita] através de uma jornada. Se tornar ágil leva tempo, leva desprendimento e energia. [Para mudar é preciso] Acreditar e ter resiliência para equilibrar a entrega de valor, que venha do cliente e que também tenha valor para a empresa, comentou o executivo em sua palestra.

 

Barros destacou “Pessoas” dentro dos pilares da Transformação Digital (como um dos mais fundamentais dentro do processo de mudança. “Sempre haverá pessoas envolvidas e pessoas comprometidas. Aprenda com a comunidade e compartilhe com a comunidade”.

O gerente comentou sobre um colega que estava montando personas dos stakeholders internos dentro da empresa para entender como lidar com cada perfil. Para, a partir daí, colocar mais energia em que iria de fato ajudar os processos a se transformar do que em quem iria atrapalhar.

No fim, o próprio time contrata ou o próprio time demite”, explicou, dizendo que, com a nova cultura implementada, quem não se adapta ou se sente mal e busca novas oportunidades de trabalho ou pode ainda ser convidado a se retirar do time pelos seus colegas. Aqui já se aplicam times “auto gerenciáveis e auto-organizáveis”, nos quais as pessoas tendem a confiar mais umas nas outras do que “olhar apenas um currículo”.

Outro ponto fundamental levantado por Barros dentro da Transformação Digital da Vivo foi o olhar crítico a dados e métricas. “A partir do momento que fomos disciplinados em mensuração, conseguimos a parte de estrutura que precisávamos [para realizar a transformação]”. A Vivo começou trabalhando com 5 squads em 2016 e possui hoje mais 16 squads, número este de 2018. Seu modelo de trabalho foi tão inovador que o presidente global da Telefónica, que detém a marca Vivo, reconheceu pessoalmente as iniciativas. Ao final, a Vivo exportou o modelo de trabalho para a Espanha e trabalha em modelo de intercâmbio de profissionais para trabalhar em squads do Peru, normalmente por cerca de três meses.

Algumas ideias que Luiz Henrique Barros, gerente de Transformação Digital da Vivo, trouxe para os participantes do evento Projetos encontra Projetos, do Mestre GP

 

Consultorias

O tema de consultorias se mesclou com a questão da Transformação Digital. Tanto na palestra de Marcio Reis, Transformation Manager na PwC, quanto no debate posterior, que contou com a presença de Luiz Henrique Barros, da Vivo, do próprio Reis, e ainda do Head de Operações da BTEC/Havas, Thiago Carneiro. O debate foi mediado por Alexis Pagliarini, superintendente da Fenapro.

Reis explicou que a grande diferença do processo de mudança da PwC em relação à Vivo é que eles tiveram que mudar a forma pensar e agir para apoiar os clientes deles: e mudar para apoiar os clientes. O executivo explicou um pouco sobre a metodologia BTX que utilizam, baseada em negócios, experiência e tecnologia, e ainda revelou que as mudanças vão além de processos e produtos. “É sobre o valor da experiência”, firmou.

Dentre as dicas dadas, citou a interação humana como prioridade — e lembrou que a mesma está dentro do manifesto ágil, inclusive –; a desistência de se fixar na venda para gerações e olhar para o valor que o projeto está trazendo. “O projeto só se justifica se ele agregar valor”, falou aos GPs presentes no evento.

Uma das discussões que levantou girou em torno de processos mais tradicionais que, muitas vezes, ainda pode ser úteis e não significa que não possam ser reaproveitados com algumas técnicas ágeis, que ajudam a trazer mais fluidez, como o Tangram, por exemplo.

Para Thiago Carneiro, da BETC, muitas agências estariam perdendo espaço para consultorias por não terem compreendido a necessidade de efetuar essas mudanças também dentro das agências. “Modelo vertical não funciona mais. O modelo de silos não funciona mais. E sabendo que os clientes estão em busca disso, estamos buscando também mudar”, comentou com a plateia.

O Head de Operações da agência citou uma concorrência que venceram em que, em vez de tomar o briefing do cliente, propuseram um workshop de Design Thinking envolvendo o mesmo. Em algumas horas, conseguiram co-criar soluções para a empresa. “Tem a questão do cliente topar, mas teve ainda a iniciativa da agência em propor algo diferente.”

O mediador Alexis Pagliarini explicou à plateia a resistência a mudanças que muitas agências estão enfrentando devido a um modelo já muito trabalhado no mercado publicitário. E o quanto isso está diretamente envolvido em consultorias estarem ocupando espaços diferenciados no mercado publicitário. “O modelo atual é engajado no mundo inteiro e protege a agência por lei. É uma autorregulação, que foi determinada pelas agências, clientes e veículos [no passado]. Mas a prática também viciou as agências em um modelo muito ruim, que não cobra outros serviços [além de mídia], como criação, planejamento e outros serviços. Esse processo de transição é muito doloroso, porque era muito confortável e agora elas estão sendo impelidas a mudar a duras penas”, explicou o executivo da Fenapro.

Mudar é difícil. Sair da inércia é difícil. A questão é que a água está batendo na bunda. Está enchendo e [você] precisa começar a nadar. Mudar é difícil, mas é necessário”, finalizou Thiago Carneiro, Head de Operações da BTEC/Havas.

 

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*Bianca Borges é jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi. Tem experiência nas áreas de assessoria de imprensa, produção de conteúdo e gestão de mídias sociais. Gosta de escrever sobre diversos assuntos mas, atualmente, seu foco é o Marketing Digital e Transformação Digital. 

 

*Gabriela Manzini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, trabalha com comunicação há dez anos e é especialista pós-graduada em Comunicação Corporativa pela Cásper Líbero. Atua hoje com comunicação estratégica, marketing digital, especialmente marketing de conteúdo e inbound. Em suas passagens por agências de comunicação e marketing, já atendeu clientes como Microsoft, Philco, Wacom Brasil, Toshiba Brasil, Citibank, Credicard Hall, Omron, Internacional Shopping Guarulhos, e os cantores Fábio Jr. e Paula Lima. Na área corporativa, trabalhou no departamento de marketing da Shoestock e é a atual Head de Conteúdo do Mestre GP e do Digitalks. Possui ainda expertises em planejamento estratégico, design thinking para inovação, comunicação interna e endomarketing, além de prestar consultoria em mídias sociais para pequenos negócios.

 

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