ENTREGA é uma das palavras mais difundidas no ambiente de projetos. Após suar a camisa, é muito prazeroso ver uma entrega acontecer, não apenas por marcar o fim de um ciclo, mas também por ser um  momento de realização pessoal, contudo, se pararmos para pensar, a entrega em si é fria, pois quase sempre se trata de um serviço, produto ou parte dele.

Tendo esta perspectiva, gostaria de abordar uma questão mais considerável do que apenas a finalização de uma entrega. Citarei a importância econômica que ela exerce.

Frequentemente os projetos são responsáveis por um grande ecossistema econômico e pela geração de empregos. A entrega de um e-commerce, por exemplo, gera empregos não só para os profissionais que concebem o projeto (agência), mas para toda uma cadeia operacional, que inclui desde profissionais de marketing, fotógrafos e integradores até atendentes de SAC, empacotadores e motoristas.

Em um país com milhões de desempregados, há de se imaginar a responsabilidade que é fazer uma entrega. Este ponto deve sempre ser trazido à tona ao explicar para os envolvidos o que um projeto de fato representa. É fundamental trazer uma dose de consciência quando tratamos deste assunto.

É por essa questão mais delicada que devemos nos contrapor as pessoas que não colaboram em nossos times. Precisamos evitar também assumir os problemas de entrega, apenas sob a ótica do cliente que está sendo prejudicado na outra ponta. Na verdade isso deveria ser encarado como uma irresponsabilidade para com a geração de empregos, ou seja, uma questão bem mais macro.

Por outro lado, mesmo sabendo a importância da entrega do projeto e o que isso representa, não podemos fazê-la a qualquer custo, sacrificando a qualidade de vida e até a integridade física da equipe como um todo.

Sanidade está sendo uma palavra cada vez mais rara, principalmente dentro das agências, nas quais as horas extras, as vezes, são tão praticadas que acabam se tornando complacente entre as pessoas. Sobrecarga de trabalho não é algo saudável  e muito menos produtivo. Usando um termo popular, é claro que ficar até mais tarde “não mata ninguém”, e às vezes é até necessário, contudo, isso deve ser a exceção, e não a regra. É importante destacar que muitas vezes a sobrecarga sequer é fruto de problemas na execução do trabalho da equipe e, sim, da má gestão, que pode ou não envolver o trabalho do GP.

Tendo isso em vista, onde fica o GP? A resposta é: no meio.

Finalizando este assunto, acredito que o GP não deve estar sempre ao lado da corporação e nem proteger os membros da equipe a qualquer custo. Ele deve ter uma conduta independente, autêntica e justa, buscando ter uma leitura não apenas do espaço onde se encontra e atua, mas igualmente de um panorama muito mais amplo, que envolve pessoas.

Sobre o Autor

Head de projetos na Enext. Começou sua carreira como desenvolvedor front-end e posteriormente migrou para gestão de projetos. Já atendeu clientes como: Outback, Nestlé, Cacau Show, Grupo 3 corações, Rayovac e Votorantim.

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