É incrivelmente comum, dentro das empresas a reclamação virar uma regra. Muitas vezes é uma prática quase que “auto fomentada”, fica de fora do “grupinho” o colaborador que não reclama, como se fosse algo inerente à equipe, principalmente na área da publicidade. Todo publicitário fala mal da agência em que trabalha ou trabalhou, do mercado, da área, como se fosse um concurso de quem tem o pior emprego, ou as piores condições de trabalho.

Existe uma cultura de que sofrimento é igual a competência, se queixar de estresse, cobrança, fazer mil horas extras etc, é valorizado no meio como “trabalhar muito”. Quem não reclama é por que trabalha pouco. Essa cultura incentiva que aquele que quiser ser bem visto, como alguém esforçado, trabalhador, tem que ser o que mais reclama.

Analisando esse comportamento tão comum é possível identificar a diferença da Reclamação x Lamentação. O colaborador que reclama muito, vive se lamentando e não quer fazer parte da solução, pode ser muito nocivo para a equipe. Esse perfil muitas vezes reclama de problemas reais na organização, pode realmente estar sobrecarregado, mal remunerado ou sem o reconhecimento devido. Porém, ele fica confortável no “estado de reclamação”, sem precisar fazer nada a respeito. Não se arrisca, não reporta para quem realmente pode resolver, não sugere e assume responsabilidade nas mudanças necessárias para melhorar sua vida. A lamentação gera uma postura derrotista que impede a evolução dos times. É a velha máxima de fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. O mais incrível é que comportamentos assim rapidamente “viralizam” dentro da empresa e conquistam engajamento do restante da equipe.

Por outro lado, a reclamação somada a atitudes pode levar a mudanças dentro das equipes. Existe sim uma forma positiva de direcionar as reclamações. O gestor que ouve sua equipe, suas dificuldades e problemas, é capaz de entender por que aquele indivíduo não concorda com alguma situação, por que está tão desmotivado e como aquilo pode ser melhorado. Quando temos na equipe os perfis “reclamões”, que não deixam os problemas passarem despercebidos e estão sempre sinalizando os pontos fracos da organização, temos que saber usá-los para resolver essas questões. Esse perfil pode trazer informações importantes para a gestão.

Assim como a reclamação dos clientes leva as marcas a aprimorarem produtos e serviços, dentro das organizações devemos dar atenção às reclamações dos colaboradores, para entender o que pode ser melhorado, onde estão nossas maiores fragilidades e o que devemos fazer para melhorar nossa produtividade e qualidade de vida da equipe.

O que o líder pode fazer? 


É importante criar um canal aberto de comunicação entre liderança e liderados e mostrar que é possível tratar todo e qualquer problema de forma madura e traçar plano de ação com foco na solução. Não se deve menosprezar qualquer tipo de dificuldade e também não é correto supervalorizar os problemas, quando podemos mostrar caminhos a serem seguidos, de forma prática, clara e objetiva. Atribuir ao colaborador suas missões e responsabilidades, cobrar, e também fazer o acompanhamento da situação, para trazer as atualizações para todos os envolvidos.

Um amigo um dia, cansado das minhas lamúrias, me indicou um livro, “Pare de Reclamar e Concentre-se nas Coisas Boas” de Will Bowen, que propõem um desafio interessante, e pode inclusive ser levado para os times como propósito pessoal de cada um. A ideia é ficar 21 dias sem se queixar de absolutamente nada nem de ninguém. Ele mostra que a reclamação é um hábito destrutivo que contamina o ambiente e todos a nossa volta e que a vida pode ser muito melhor se mudarmos de atitude e pararmos de enxergar apenas o que há de errado.

Quando adotamos uma postura positiva, direcionando nosso pensamento e discurso para a solução, entendemos que somos responsáveis por resolver nossos problemas e tomamos atitudes assertivas frente ao que nos incomoda. Assim, conseguimos viver o dia a dia de forma mais consciente, dispostos a resolver problemas, inspirando nosso time para agir da mesma forma.

Sobre o Autor

Coordenadora de Operações Digitais na Heads Propaganda, Relações Públicas, especialista em Administração com extensões em Planejamento de Mídias Digitais e Gestão de Projetos. Possui experiência de mais de 10 anos na área de comunicação e marketing digital, passando por agências como Redirect, Opus Múltipla e HouseCricket, atuou com clientes como GVT, NET, Claro, Volvo, Subway Brasil, Eletropaulo, Caixa Seguradora, Sebrae, Unimed Brasil, entre outros.

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