Desde o último semestre de 2017 venho refletindo sobre a atuação do GP, e cada vez mais concluo que ele respira novos ares, tanto no presente, quanto no futuro.

Nós comunicadores recebemos da internet uma baita oportunidade de transformar o modo como o ser humano não só compra, mas se sente, comporta e posiciona. O que se consome não é mais só o produto, mas sim a experiência, a lição de moral, o êxtase, a endorfina, a boa lembrança, a novidade.

Nosso mercado então é líder da mudança de sentimento global. Não a Medicina, tampouco o Direito. É a Comunicação que está mudando o comportamento de dentro pra fora e vai ditar o ritmo em outros segmentos.

Então, repare que estamos falando de pessoas num mercado que se chama “Comunicação.” E o GP, cadê?

Cuidará menos de documentações (ora pela mudança constante, ora pela automatização e tecnologia) e mais delas, as relações. Imagino eu que, nas agências, o GP “gente boa” já tenha mais espaço do que o GP métrico e hard skill.

Hoje, os principais KPIs do GP são planejar, estruturar, gerir, entregar e mensurar as campanhas afim de obter maior rentabilidade e crescimento nos projetos. Porém, o GP é um líder, e como tal precisa lidar com suas dimensões internas e externas para movimentar grandes projetos e obter tais resultados.

O quadro abaixo mostra a caminhada de um curso de Liderança Evolutiva* que recomendo, onde refletimos sobre quem fomos e somos, onde estamos e pra onde (e como) vamos. Como líderes e seres humanos.

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Fonte: Cuidadoria

Dimensão Interna

  • Líder Integral: seja o pão integral, que por fora não é tão bonito e uniforme como o de forma, mas por “se revelar” se torna melhor. Tudo que é integral se abre, se mostra;
  • Presença, percepção e agilidade: atenção plena, entender e se abrir faz com que haja uma percepção sensível sobre necessidades e oportunidades;
  • Inteligência Emocional: vulnerabilidade, vergonha, fraquezas, ego, apego, saber lidar com atributos negativos são elementos discretos e fundamentais no resultado da gerência;
  • Comunicação Autêntica: sinceridade, dialética eficiente, não-julgamento, o GP pode se fazer sincero dando moral a cada pedido, sendo curto e grosso com propósito e carinho, pelo próximo e pelo projeto.

Dimensão Externa

  • Bioliderança: a natureza nos ensina, simplesmente por ser a melhor gestora que conhecemos. Estar em contato e entender como a compomos nos faz mais sábios. A biomimética é o maior exemplo disso;
  • Autogestão: somos vistos como organizadores holísticos e sabemos que é do nosso escopo básico ceder pela organização do coletivo, começando pela organização do projeto;
  • Liderança Facilitadora: a facilitação de processos (principalmente criativos) é uma habilidade dos novos tempos e essa atribuição pode fazer com que nós, GPs, sejamos especiais e integradores;
  • Sustentação no tempo: saber blindar as pessoas do time de toda a bullshit, falácia, mimimi, falso moralismo e exclusão que existe no nosso mercado.

Nesse sentido, o GP se torma ainda mais generalista: deve transitar entre áreas pra aprender, ser uma extensão do RH, recrutar. Mas, se pudesse escolher mais uma metáfora, ele seria o “Psicólogo da agência”.

Como o GP cria e mantém relações saudáveis que se transformam em jobs com propósito?

Como o GP tem controle de como as relações influenciam no resultado das campanhas?

Como a partir disso o GP agrega e se porta com o externo, desde o cliente até a audiência?

Na minha curta experiência numa agência 100% horizontal aprendi que é possível estruturar e operar em constante empoderamento e vulnerabilidade, mas confesso ser defensor de um modelo híbrido com lideranças que compartilhem dos mesmos preceitos.

É um papo futurista. Estamos no início do despertar, mas pergunto: pode o Gerente de Projetos, holístico como se requer, se aproximar de um contexto comportamental e humano para contribuir nas grandes respostas das grandes campanhas?

Aliás, o que é campanha hoje? A que vende mais, a que melhora a vida das pessoas ou a que por inovação ganha prêmios? Na minha opinião, se não começar por melhorar a vida das pessoas a relevância dos prêmios e do dinheiro podem ter os dias contados.

Termino com uma provocação: qual o valor do intangível? Como mensurar? É a pergunta do futuro.

Sobre o Autor

Gerente de Projetos e Operações, tem nos 6 anos de carreira as agências FCB Brasil e Iris São Paulo, além da startup High Stakes Academy. Trabalhou em projetos de marcas como Vivo, Tim, Smiles, Targifor, Neve, Devassa e a personal brand Gabriel Goffi. Atualmente estuda modelos de gestão e negócio horizontais e colaborativos com viés futurista.

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