Como fica o PM generalista num mundo de especialistas?

Entre a versatilidade e a armadilha do “sabe de tudo e nada profundamente”

Será que a versatilidade do GP corre o risco de virar uma armadilha? Do “sabe tudo e nada profundamente”? Durante muito tempo, o Gerente de Projetos era visto como o guardião dos prazos, das entregas e das reuniões que ninguém queria fazer. Com o tempo, o papel evoluiu – ou ao menos se fragmentou. Hoje o mercado se vê diante de uma figura complexa: o PM generalista. Aquele que circula entre áreas, conecta especialistas, decodifica escopos e transforma brainstorms em cronogramas viáveis.

Um perfil raro, valioso e muitas vezes… invisível.

Acontece que esse PM, que entende o suficiente de UX, conhece o básico de mídia, tem uma noção de planejamento estratégico e ainda desenha um escopo bonito no Notion, vive uma encruzilhada: ele conecta tudo, mas não aprofunda nada. E isso, num mundo que premia especialistas, pode parecer quase um defeito.

O dilema da profundidade

Imagine uma reunião de kick-off onde todos estão presentes: um redator sênior, um diretor de arte, um tech lead, um gerente de produto, um estrategista e um cliente. Todos falam jargões diferentes, apontam riscos distintos e priorizam coisas opostas. A verdadeira receita da loucura. Quem traduz, conecta, prioriza e articula? O PM. Mas não um PM técnico. Um PM com repertório: o generalista.

Ele pode não saber codar, mas entende o suficiente para saber que migrar uma stack inteira em duas semanas é insano. Pode não ser da criação, mas já viu campanhas nascerem e morrerem por aprovações mal conduzidas. Pode não ser analista de dados, mas entende quando o briefing tem um KPI impossível.

O problema? Ele sabe de tudo um pouco. E isso, dependendo da saúde do ambiente, vira munição para desqualificação. “Ah, mas você não é da área técnica…”. Pois é. Mas quem costura as áreas todas quando o projeto ameaça ruir?

Quais as vantagens de ser generalista

Capacidade de tradução entre áreas – O PM generalista entende o idioma da Criação, da Mídia, do Produto e do Cliente. É um poliglota organizacional.

Visão sistêmica – Consegue enxergar conexões que especialistas isolados muitas vezes ignoram. Previne riscos laterais, aqueles que vêm do “não é comigo”.

Agilidade contextual – Muda de contexto com fluidez. Do orçamento à régua de CRM, do backlog ao escopo de produção, é capaz de navegar sem pânico.

Empatia operacional – Não está a serviço de um único ponto de vista. Costuma atuar como mediador de conflitos interdisciplinares, mesmo que ninguém perceba.

Os riscos do canivete suíço

Nem tudo são flores no mundo do generalismo. Em ambientes onde o status vem da especialização, o PM generalista corre o risco de virar um faz-tudo sem prestígio. É chamado para tudo, porque “você sabe como resolver”, mas raramente é lembrado na hora do reconhecimento. É o elo entre áreas, mas muitas vezes o único elo que ninguém defende em público.

Outro risco é o da pressão por conhecimento técnico irrelevante. Muitos projetos fracassam não porque o PM não sabe programar em React ou fazer campanha no Meta Ads, mas porque ninguém estava ali para garantir que o briefing fazia sentido, que os prazos eram realistas e que todos estavam falando da mesma coisa. O PM generalista é quem segura essa linha de raciocínio, mas não raro é cobrado como se fosse um mini-especialista em tudo.

E afinal: qual é a profundidade mínima desejável?

A resposta talvez seja: a suficiente para não ser manipulado. Um PM generalista não precisa codar, mas precisa entender quando estão empurrando uma desculpa técnica disfarçada de atraso. Não precisa fazer layout, mas precisa perceber quando um prazo está desconectado do esforço real. Não precisa fazer mídia, mas deve ser capaz de questionar um KPI ou um CPC absurdo.

A profundidade mínima não é sobre saber fazer, mas sobre saber lidar com quem faz, com repertório suficiente para sustentar decisões e questionamentos.

O que as lideranças precisam entender

É hora de valorizar esse perfil generalista e, mais do que isso, defendê-lo. O PM generalista é muitas vezes o único ponto de coesão entre especialistas que não se falam, não se entendem ou sequer sabem que estão num projeto comum. É ele quem conecta o início ao fim, o racional ao criativo, o cliente ao time, o pitch à entrega.

Se você é o PM generalista da equipe, trate-se como o fator de oxigenação sistêmica que você é. Não se cobre sobre especialização técnica onde não faz sentido. Foque em desenvolver a sua capacidade de articulação, escuta, organização e visão de conjunto. Porque isso, honestamente, é mais raro que saber usar Figma ou Jira.

Epílogo: o gerente invisível

O PM generalista é, muitas vezes, o roteirista invisível do sucesso de um projeto. O que dá contexto, estrutura, alinhamento e escopo para que as pessoas certas façam o trabalho certo. Não espere que ele resolva tudo sozinho – ele não é especialista, lembra? Mas se quiser alguém que segure o projeto inteiro com um olho no prazo e outro na política interna da empresa, esse é o perfil que vai te salvar mais vezes do que você imagina.

E você? Já foi esse gerente invisível que costura tudo, mas ouve “mas você nem é técnico”? Vem pro grupo. A gente tem cronograma, café e acolhimento.

———————

APOIE O IMGP: https://apoia.se/apoiase-imgp

(seu apoio é fundamental para continuarmos a produzir conteúdos gratuitos e de impacto real na vida das pessoas e das empresas)


Oferecimento

Mantenedores

Agências Mantenedoras

Entidades Apoiadoras