Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas. Software em funcionamento mais que documentação abrangente.Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos. Responder a mudanças mais que seguir um plano. Ou seja, mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à esquerda”.

Pegando gancho no Manifesto Ágil citado acima – tema abordado pelo Instituto Mestre GP neste ano – gostaria de descrever aqui como – na minha visão – a estratégia aplicada ao esporte caminha lado a lado e diariamente com a gestão de projetos.

É interessante associar que o Manifesto Ágil se aplica a diversas áreas e não somente à construção de softwares. E uma dessas áreas é o esporte. Quando falamos dos valores do Manifesto, principalmente sobre “indivíduos e interações” e “responder a mudanças”, logo consigo transportar esse paralelo para dentro de quadra.

Eu fui jogadora de basquete por 5 anos e, quase que diariamente, me pego pensando que para gerir os projetos em que atuo no mercado publicitário, meu raciocínio precisa estar muito próximo aos pensamentos que eu precisava ter para o jogo. O esporte me ensinou a ter disciplina, responsabilidade, pontualidade, valores, análise crítica sobre vitórias e derrotas, estudar possibilidades, ter visão do todo, e principalmente que nunca ninguém faz nada sozinho.

No basquete o pensamento estratégico com entrega de valor durante os 4 quartos da partida – e não somente nos momentos finais e decisivos de um jogo – sempre me deixou claro que a equipe deveria entregar desempenho satisfatório a cada ponto, a cada resposta de defesa para o ataque e a cada ataque para a defesa, nesse caso a jornada percorrida seria tão importante quanto o resultado final.

O basquete, assim como tantos esportes, é baseado na rapidez do pensamento, na colaboração de equipe e também na rápida resposta às mudanças do jogo. E chega a ser tão rápido que você ganha em um segundo, perde em outro, e vice-versa durante toda partida.

Não é por acaso que o ex-jogador Michael Jordan, uma das estrelas mais notórias do esporte, sempre foi reconhecido não só por sua magia a cada lance, mas também pelo pensamento estratégico e rápido em decisões importantes, como mentor e líder do time.

Considerando a metodologia de projetos Scrum como comparação direta ao basquete, teríamos:

– O Bakclog > todos os itens para vencer o jogo: ataque, defesa, substituições, intervalos, apoio da torcida, controle emocional etc;

– A Sprint > cada quarto da partida, sendo 10 minutos para cada um deles e 40 minutos no total do jogo.

– O Daily > o tempo / intervalo que cada treinador pede para os acertos de sua equipe e eliminar os impedimentos que existem para que seus atletas rendam mais;

– A Equipe Multidisciplinar > os stakeholders armador, alas e pivôs jogam com a mesma responsabilidade de atuação coletiva e se comunicam frequentemente com treinador;

– O Scrum Master > o técnico do time, que ensina e aponta o melhor caminho para que a equipe cumpra a estratégia traçada antes do início da partida;

– O Product Owner > o diretor do clube, que em parceria com o patrocinador, analisa a performance do time durante todo o campeonato e participa de encontros pontuais visando a melhoria de entrega visando vitórias – a cada partida;

– Retrospectivas de Sprint e Projeto > momento de análise pós-partida para melhorias a serem aplicadas nos próximos jogos e apontamentos gerais de desempenho.

A comparação rápida que fiz aqui sobre a minha rotina como gestora de projetos e como jogadora de um esporte coletivo é a mesma comparação que poderia fazer por exemplo sobre a preparação de uma viagem em família; uma festa; um casamento; um projeto particular; um novo empreendimento; uma poupança etc.

Os esportes individuais que também se encaixam nesse cenário dependendo do projeto estabelecido, basta analisarmos que mesmo o atleta do esporte solo existe por trás sempre uma gestão de preparação de treinos com a equipe de trabalho de acordo com agenda de competições.

Ou seja, tudo em nossa vida pode ser um projeto. O importante é sabermos a devida importância da gestão e a aplicação de suas metodologias com responsabilidade para tornar nosso trabalho fortalecido e com mais credibilidade durante “todo treino e não somente em decorrência da partida”. Somos nós, gestores de projetos, os responsáveis pelo posicionamento da profissão – no mercado publicitário ou não. Ao final tudo que queremos é ganhar o jogo. #agile.

Sobre o Autor

Formada em Jornalismo, trabalhou 10 anos em redações especializadas de economia e política. Como Gerente de Projetos se especializou pela FGV, na metodologia PMI; pela Scrum Study, em Fundamentos do Scrum; e pela ECA USP em Marketing Digital. Atua na área de operações e projetos há 7 anos com passagens pelas agências África; Pereira & Odell; LDC; e Tribal Worldwide, todas do Grupo ABC. Atualmente é Gerente de Projetos da agência DPZ&T, pela marca Red Bull, onde também esteve à frente da gestão de projetos das marcas Natura e Vivo. Em 2018 foi ganhadora do prêmio Mestre GP, Escolha do Júri, categoria Soft Skill.

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