Evite armadilhas: Dicas para escolher a sua Ferramenta de Gestão de Projetos

Publicado em 24 de abril de 2024 às 12:34

Navegando por águas turbulentas: como evitar os perigos das escolhas impulsivas de Ferramentas e Softwares de Gerenciamento de Projetos.

 

Andando pelas agências e produtoras do querido mercado publicitário, o termo Software de Gestão de Projetos (SGP) ressoa como uma promessa de conquista do Eldorado. No meio do brilho sedutor de interfaces elegantes e funcionalidades colaborativas, é fácil ficar maravilhado pelo apelo das últimas ferramentas da moda, com seu login social e modelos elegantes. 

 

No entanto, em meio ao clamor das comparações de recursos e ofertas de licenciamento, um diálogo crucial muitas vezes passa despercebido – o que realmente queremos alcançar com um SGP? 

 

Antes de se comprometer com um investimento custoso, é hora de direcionar a conversa para uma base mais sólida de processos, indicadores de desempenho, e os itens essenciais de sucesso de uma implementação que impactará os processos da empresa como um todo.

 

Sem um time com maturidade e conhecimento básico sólido da cultura de projetos da sua empresa, as melhores ferramentas disponíveis terão seu funcionamento limitado pela falta de conhecimento de quem as utiliza no dia a dia. A primeira pergunta que devemos nos fazer, em uma auto-avaliação agnóstica e sincera, é se as metodologias de gerenciamento de projetos estão bem desenvolvidas e aplicadas consistentemente e constantemente. Há um reforço a ser feito na constância e consistência. Nada adianta um único projeto de benchmark, um solitário caso de sucesso. Ao longo do tempo e dentre diversos times temos que observar o mesmo padrão de aplicação das metodologias da empresa. Também é importante observar se a metodologia é adaptável aos diferentes tipos de entregas de seus projetos.

 

Consequentemente, é preciso uma abordagem estruturada para avaliar esses pontos. Essa avaliação vai ser importante para desenhar um roteiro claro para integrar a ferramenta de Gestão de Projetos de forma transparente em todos os fluxos de trabalho existentes. Esse roteiro tem que apresentar um objetivo claro, além de comunicar e dar visibilidade para toda organização do que será feito e como será feita a integração da ferramenta ao cotidiano da empresa. A integração forçada pode gerar caos e quebra na esteira de entregas dos projetos, não eficiência.

 

Altamente relacionado à eficiência, nessa abordagem procure também dar luz ao labirinto de taxas ocultas. A ponta desse Iceberg é a taxa inicial – e óbvia – de licenciamento, seja ela o formato que for: aquisição, por usuários, por uso, etc.. Vencido esse primeiro “boleto”, considere desde necessidades de personalização até desafios de adoção da ferramenta pelo usuário e requisitos contínuos de manutenção. Se a ferramenta de Gestão de Projetos escolhida precisa ser adaptada para atingir seus objetivos e requisitos únicos, haverá custos adicionais. Num segundo momento, também será necessário um time de manutenção (pode ser da provedora do software/serviço) para cuidar da resolução dos problemas e adaptações que surgem na evolução natural do trabalho.

 

Vencido a estruturação inicial dessa avaliação é obrigatório definir o que será considerado “sucesso” nessa implementação. As métricas não só importam, são fundamentais para diversos aspectos desse processo.

 

O primeiro ponto é medir o desempenho da própria ferramenta de Gestão de Projetos. Há redução de tempo no gerenciamento das tarefasHouve ampliação de dados de desempenho dos projetos disponíveis para avaliação? Os dados que sustentam a operação estão com maior visibilidade dentro da empresa? Houve oportunidades de automações? Essas são algumas perguntas de exemplo que podemos fazer e que, partindo de um baseline, podem ser medidas ao longo da implementação. Sem esquecer de avaliações mais subjetivas em entrevistas com os usuários para entender o grau de satisfação com a nova ferramenta e as dificuldades e oportunidades encontradas durante o processo de adoção.

 

Como segundo ponto, considere mapear as métricas que atualmente sustentam sua operação. Aderência aos prazos, orçamentos planejados e realizados, gestão orçamentária, satisfação do cliente, alocação e capacidade de time, são alguns exemplos.  Essas métricas precisam já existir na sua organização para ser possível usá-las como ponto de referência nesse processo de implementação da ferramenta de gestão de projetos. Não é o momento de criar métricas novas só porque a ferramenta oferece essa possibilidade, sem o ponto de referência não será viável avaliar o progresso e eficiência da implementação. 

 

Ainda é possível adicionar mais um ponto para essa definição de “sucesso”: Quais são as automações possíveis? A adoção de uma ferramenta de Gestão de Projetos abre um aspecto tentador pela em sua capacidade de automação – libertando equipes das amarras de tarefas mecânicas e liberando tempo para serem criativos nas propostas de resolução de problemas. As atribuições rotineiras podem ser delegadas automaticamente, com base em conjuntos de habilidades ou disponibilidade de recursos? O sistema pode enviar lembretes ou notificações para manter os projetos no planejamento de trabalho correto? O Software de Gerenciamento de Projetos escolhido poderia compilar dados em painéis visualmente intuitivos para consumo das partes interessadas por toda a empresa?

 

A Ferramenta de Gestão de Projetos tem um potencial imenso para equipes de publicidade, mas sua eficácia depende de uma base sólida de Gestão de Projetos com histórico de sucesso constante e consistente, seleção estruturada da ferramenta e implementação estratégica. 

 

Lembre-se, é a sinergia entre os processos, cultura organizacional e objetivos estratégicos que determina o sucesso da implementação de uma ferramenta como essa. Não permita que o apelo midiático de uma ferramenta obscureça a narrativa mais ampla. Fazendo as perguntas certas e adotando uma abordagem de integração colaborativa, você poderá equipar sua equipe com um SGP que não apenas agiliza as operações, mas também fornece insights valiosos e apoia a criação e entrega de projetos realmente excepcionais.

 

Não tem segredo, vale a máxima: uma ferramenta é só, e somente, uma ferramenta. Não é uma solução. Precisamos saber o que realmente queremos alcançar com ela.


Flaviz Guerra
Gerente de Inovação da GOL Linhas Áreas e da GOLLABS, tem a missão de de aplicar a visão de Transformação Digital da empresa na Jornada do Consumidor, alinhando as estratégias de TI com os objetivos estratégicos da empresa. Formado em Desenho Industrial, com pós-graduação em Gestão de Negócios na St Paul's Business School, Flaviz trabalhou por mais de 20 anos na área de Publicidade e Propaganda. Sua ultima passagem durou até 2023 na Liderança de Produção e Operações da R/GA SP onde era responsável pela implementação das ferramentas e processos globais da agência, além de supervisionar todo o desenvolvimento de aplicativos, desde UX e UI até campanhas de comunicação integrada. Durante esses anos todos, trabalhou em projetos para clientes como Nike, Banco do Brasil, Microsoft, Brasil.Gov, Chevrolet, Banco ABN AMRO, Volkswagen, Sony, Toyota, Google e Bradesco.