A ferramenta como espelho da cultura de gestão

Publicado em 12 de novembro de 2025 às 19:18

Escolher uma plataforma de gestão de projetos é muito mais do que uma decisão técnica. É, antes de tudo, uma decisão sobre cultura, tempo e relação que existem dentro da empresa. Porque toda ferramenta que organiza o trabalho também revela o jeito como uma equipe enxerga o próprio ato de fazer, com o ritmo, a confiança, o espaço para errar e o modo como o caos é gerido no dia a dia.

 

Em ambientes onde existem grandes processos criativos, essa escolha é ainda mais sensível. A rotina mistura entregas objetivas com processos abertos, prazos rígidos com ideias em construção. E a liderança de gestão precisa acolher essa contradição: dar estrutura sem sufocar, acompanhar sem controlar, oferecer clareza sem apagar o improviso que move a criação. E é aí que a plataforma entra como um espelho, ela não vai mudar o jeito de trabalhar, mas vai transformar tudo em algo visível e palpável.

 

Antes de decidir onde registrar as tarefas, as horas dedicadas, as divisões de time, é preciso entender como o trabalho realmente acontece. Quais são as etapas que se repetem, onde o tempo se perde, o que precisa de previsibilidade e o que exige liberdade. Nenhuma plataforma resolve uma desorganização que é, na verdade, estrutural ou comunicacional. A ferramenta certa nasce de um processo de observação e coleta, da escuta do time, da leitura dos fluxos e da clareza sobre o que se quer sustentar como cultura de gestão.

 

Nas produtoras e agências, onde a essência é criativa, o desafio é permanente: conciliar o pensamento artístico com o pensamento operacional. A gestão de projetos, quando bem aplicada, funciona como uma ponte entre esses dois mundos, e digo aqui que é o que mais me admira nesse ofício! As metodologias, sejam mais lineares ou adaptativas, só têm valor quando ajudam a traduzir o processo criativo em etapas possíveis, sem amputar o seu caráter experimental. É um equilíbrio delicado entre ritmo e respiro, entre eficiência e expressão.

 

Escolher uma plataforma é, finalmente, escolher o tom da gestão. É decidir se o time vai se relacionar com o processo de forma colaborativa ou apenas burocrática. É pensar o tempo não como um inimigo a ser vencido, mas como um recurso que demanda atenção. Quando a equipe enxerga o sistema como um aliado, o registro das tarefas deixa de ser um peso e passa a ser parte natural da rotina, quase como escrever um diário coletivo do projeto.

 

A plataforma ideal não é a mais complexa, nem a mais visual. É aquela que faz sentido para o time, que traduz a forma como ele cria e se comunica. Que oferece clareza, mas mantém espaço para o improviso. Que organiza o pipeline, mas continua humana o suficiente pra trazer dados para ninguém se afogar sozinho e garantir a qualidade da entrega de todos.

 

No fim, escolher uma ferramenta de gestão é uma grande decisão. Mas é garantir que o tempo do time seja respeitado, que o processo tenha visibilidade e que o caos encontre um espaço seguro para existir. E como já trouxe aqui anteriormente, a gestão nunca é sobre eliminar o imprevisto, mas sobre aprender a controlar com ele, não o contrário.


Déborah Moreno

Profissional com ampla experiência nos mercados de artes, editorial e publicitário, possui formação em Fotografia e Gestão de Projetos, além de especialização em Produção Executiva e no desenvolvimento de habilidades voltadas para gestão, liderança e resolução de conflitos. Atualmente, atua como Head de Operações na Asa Onze, liderando a gestão e produção de projetos publicitários e editoriais, bem como desenvolvendo soluções estratégicas para demandas específicas. Ao longo de sua carreira, realizou projetos para grandes marcas como PepsiCo, Itaú, Riachuelo, Vivara, Quebrando Tabu, Ri Happy, Daki, Nomad, AMBEV, RaiaDrogasil, Dasa, Petz, Toyota e iFood, ampliando sua expertise e entregando resultados expressivos em diferentes setores do mercado. Paralelamente, dedica-se a iniciativas autorais que unem criatividade e propósito.