Como a transformação digital e a IA estão redesenhando a comunicação

Publicado em 5 de novembro de 2025 às 19:22

A transformação digital nas agências de comunicação já não é mais uma tendência; é uma necessidade estratégica. O avanço da inteligência artificial (IA) em especial os modelos generativos, está alterando profundamente a forma como campanhas são concebidas, replicadas e escaladas. O resultado é um novo paradigma em que eficiência operacional e criatividade precisam coexistir.

 

Para compreender a magnitude dessa mudança, uma analogia ajuda a clarear o cenário: a operação de um bloco de carnaval. À primeira vista, o espetáculo parece caótico, com milhares de pessoas em movimento, múltiplas frentes de atuação e ritmos sobrepostos. Na prática, trata-se de um sistema altamente estruturado, onde tempo, coordenação e execução são determinantes para o sucesso. O mesmo ocorre dentro de uma agência em processo de transformação digital.

 

Se no carnaval a bateria garante a cadência, na publicidade contemporânea esse papel começa a ser desempenhado pelos modelos de IA. O diferencial não está apenas em gerar conteúdo original, mas em replicar e adaptar peças criativas em escala, respeitando múltiplos formatos, canais e públicos.

 

Campanhas que antes demandavam semanas para serem adaptadas a diferentes mídias agora podem ser multiplicadas em horas. Mais do que velocidade, a IA introduz consistência e reduz gargalos de produção. A função humana, nesse cenário, passa a ser menos sobre execução manual e mais sobre direção estratégica e curadoria criativa.

 

No entanto, a adoção da IA não pode ser enxergada apenas como um ganho operacional. Ela exige reorganizações profundas nos processos internos. Isso porque a cultura de cada agência define como o trabalho flui: algumas privilegiam a autonomia criativa, outras a padronização, outras ainda a proximidade com clientes.

 

A integração de modelos de IA obriga líderes a repensar:

  • Fluxos de aprovação: quem valida uma peça gerada ou adaptada por IA?
  • Papéis e responsabilidades: como redefinir funções para que profissionais passem de “executores” para “orquestradores”?
  • Governança de dados e ativos: de onde vêm os insumos criativos e como garantir que sejam utilizados de forma ética e alinhada à identidade da marca?

 

A transformação digital, portanto, não é apenas sobre tecnologia, mas sobre alinhamento cultural. A adoção bem-sucedida da IA depende de processos que absorvam a novidade sem sufocar a essência criativa da agência.

 

Um dos maiores obstáculos não está na tecnologia, mas na cultura. Muitas agências ainda operam em silos: criação separada de mídia, produção distante de dados, negócios isolados de operações. A IA expõe essas barreiras, porque seu verdadeiro valor só se realiza quando há colaboração transversal.

 

Assim como no carnaval, em que músicos, dançarinos e organizadores precisam atuar de forma integrada para colocar o bloco na rua, a agência do futuro depende de equipes interconectadas, com processos claros e objetivos compartilhados.

 

A publicidade vive hoje seu próprio “desfile”: barulhento, veloz, criativo e desafiador. A incorporação da inteligência artificial oferece a oportunidade de transformar improviso em escala e caos em espetáculo organizado. Mas para isso, não basta adotar modelos de IA. É necessário redesenhar processos, redefinir papéis e alinhar cultura.

 

A agência que compreender esse movimento não apenas ganhará eficiência, mas também reforçará sua capacidade de inovação, mantendo a criatividade no centro, mas agora sustentada por uma cadência tecnológica que garante impacto e consistência.


Joatan Jamilton da Silva

Diretor de Operações e Transformação na GALERIA.ag, onde lidera iniciativas voltadas à eficiência operacional, inovação e integração de plataformas tecnológicas. Com ampla experiência em gestão de processos e transformação digital, é responsável por desenhar e implementar modelos operacionais que otimizam fluxos de trabalho, aprimoram a colaboração entre áreas e integram dados, tecnologia e criatividade para aumentar a performance e a qualidade das entregas.