Redesenhando empresas para um futuro regenerativo

Publicado em 11 de junho de 2025 às 11:55

Nos artigos anteriores, contei para vocês sobre as Novas Economias e expliquei o conceito da Economia Donut, desenvolvido pela economista inglesa Kate Raworth. Se você perdeu, recomendo dar uma olhada nesses artigos para entender melhor o que vem agora (artigo 1, artigo 2 e artigo 3). Hoje, quero falar diretamente com empresários, empreendedores, publicitários e tomadores de decisão sobre como podemos aplicar essa proposta no mundo dos negócios.

 

Se estamos em um momento crítico da história, com crises ambientais e desigualdades sociais em evidência, não faz mais sentido manter modelos de negócios focados exclusivamente no lucro financeiro. Precisamos transformar profundamente o modo como pensamos e operamos as empresas, e é aí que entra o “Donut para Negócios”.

 

A Economia Donut, relembrando rapidamente, propõe que a humanidade viva bem dentro de dois círculos: o interno, que garante direitos sociais básicos, e o externo, que respeita os limites ambientais do planeta. O Donut para Negócios traz essa mesma lógica para dentro das empresas, incentivando uma visão empresarial regenerativa e distributiva, capaz de gerar lucro sem abrir mão da ética, da sustentabilidade e da justiça social.

 

Para colocar isso em prática, o Doughnut Economics Action Lab (DEAL), laboratório global que trabalha com o conceito de Kate Raworth, desenvolveu a metodologia “Deep Design” especificamente para negócios. Essa metodologia desafia empresas a repensarem cinco aspectos fundamentais:

 

  • Propósito: Redefinir o objetivo da empresa, indo além do lucro e incorporando o bem-estar social e ambiental.
  • Redes: Construir parcerias com empresas éticas, comunidades locais e organizações comprometidas com a sustentabilidade.
  • Governança: Criar mecanismos mais transparentes, democráticos e participativos para a tomada de decisões.
  • Propriedade: Adotar modelos mais justos e participativos de propriedade, como cooperativas ou empresas com gestão compartilhada.
  • Finanças: Direcionar investimentos financeiros para projetos que promovam impactos positivos reais no ambiente e na sociedade.

 

Vamos trazer isso para a realidade brasileira com exemplos concretos:

 

  1. Agências de Publicidade e Comunicação
    Imagine transformar o propósito da sua agência para inspirar mudanças culturais e comportamentais positivas. É possível criar campanhas éticas e inclusivas, escolhendo parceiros que geram impacto positivo na sociedade.
  2. Cooperativas Agroecológicas
    Essas cooperativas podem fortalecer ainda mais seu compromisso com a sustentabilidade ambiental e social, ampliando suas redes de distribuição em escolas, feiras urbanas e comunidades.
  3. Startups de Tecnologia Verde
    Para startups, o desafio é crescer sem deixar impactos negativos pelo caminho. Usando o Deep Design, é possível alinhar inovação tecnológica com benefícios reais para comunidades vulneráveis e ecossistemas.

 

E o que ganhamos ao adotar o Donut para negócios? Além da vantagem ética, há também benefícios estratégicos claros: empresas sustentáveis e justas são mais resilientes, inovadoras e alinhadas às novas exigências do mercado, dos investidores e da sociedade em geral.

 

No Brasil, temos o movimento Donut Brasil, do qual tenho orgulho de ser cofundadora. Estamos estudando, experimentando e aplicando esses conceitos em diversos setores, mostrando que é possível e necessário reinventar o papel das empresas para garantir prosperidade genuína e duradoura para todos. Esse tem sido nosso borogodonut!

 

E aqui fica o convite: que tal redesenhar seu negócio para o futuro?


Carol Tomaz
Economista heterodoxa e designer estratégica com experiência em políticas públicas e projetos de impacto socioambiental. Co-fundadora do Donut Brasil, atua no desenvolvimento sustentável, justiça climática e fortalecimento comunitário, conectando pessoas e organizações para criar soluções integradas nos pilares ambiental, social, econômico e cultural. Pesquisadora de Novas Economias, dedica-se a projetos que promovem uma economia centrada na vida e na co-criação com comunidades vulneráveis.