Realmente precisamos mudar?

Essa pergunta pode soar ultrapassada. No momento que estamos vivendo, muitas vezes o que pedimos é a mudança. Isso porque vemos a mudança como uma virtude.

Mudar também carrega o significado de desenvolver, modificar, transformar para algo melhor do que estamos hoje. Então, se eu decido manter como estou agora, sou uma pessoa acomodada. Ou seja, não quero mudar. Em suma, o caminho inverso do virtuoso perfil de mudança.

Do ponto de vista do nosso trabalho, há uma série de materiais que nos amparam para lidar com a mudança. Os métodos nos dão suporte para o que for alterado gerando um menor impacto no custo, tempo e esforço. 

Nesse sentido, os métodos e processos ágeis dividem o trabalho em pequenas entregas e qualquer mudança de rota já está considerada no plano. Isto é, há espaço para realizar mudanças sem causar danos e, portanto, potencializar positivamente o resultado do trabalho.

Essa é uma forma de lidar com a mudança. A mudança aqui é vista como necessária e, sem ela, pode-se não alcançar o objetivo esperado.

Contudo, precisamos ter cuidado ao direcionar o resultado desse modelo de trabalho, ao generalizar e reduzir a mudança a um sinônimo de algo somente positivo.

Mudança causa estresse

Seja com menor ou maior impacto, sua energia será mais consumida em pensar soluções e planos, adaptar-se até que se estabilize. Esse impacto causa sensações e, dependendo da intensidade, podem gerar emoções perturbadoras como medo, ansiedade, raiva, frustração etc.

Eu, pessoalmente, tenho vivenciado uma série de mudanças, que, aliás, não são de agora, sempre ocorreram. Hoje, porém, somos validados quando queremos propor mudanças. E, na maior parte das vezes, mudanças vão gerar um impacto positivo.

Mas, fazendo parte de muitas iniciativas e tentando olhar distante, notei que a mudança desestabiliza. E por mais que a mudança possa trazer empolgação, uma vez que se mude, a busca que se segue é pela estabilização. Ou seja, depois de realizada a mudança, precisamos de espaço para sentir baixar a poeira.

Se não há esse espaço, se há uma mudança atrás da outra, o nível de tensão será elevado. E os sintomas que surgem são baixo desempenho, desmotivação, baixa qualidade de entrega do trabalho, podendo chegar a problemas mais severos.

Portanto, se há algo que podemos fazer por nós e pelos outros é avaliar com cuidado as mudanças que queremos implementar e que impacto isso terá nas pessoas.

Claro que muitos não querem trabalhar ou viver em ambientes rígidos. Não poder mudar é tão estressante quanto mudar a todo momento. A busca aqui é por equilíbrio. Há algo de negativo em mudar demais, não?

E os imprevistos?

Há mudanças não planejadas, sequer pensadas. Aquelas que nos pegam de surpresa e, talvez, as que mais geram estresses. Você se vê obrigado a mudar, a se adaptar. Teoricamente não estamos preparados para elas.

E nesse ponto, simpatizo com uma abordagem que ouvi recentemente. No podcast com Brene Brown, Simon Sinek diz que podemos olhar a mudança como uma oportunidade e não como ameaça. Para mim soou como “olhar o copo meio cheio”. 

Nesse sentido, podemos observar como nos relacionamos com imprevistos e mudanças. Acho importante buscar caminhos para lidar melhor com aquilo sobre o que não temos controle. E certamente o caminho não é buscar ter mais controle. 

Mas ainda sim, é algo positivo!

Sim, mudar, muitas vezes, é fundamental para gerar algo melhor. Mas, a mudança precisa ser bem planejada e organizada, caso contrário, o efeito poderá ser o inverso do esperado.

Trabalhar em um plano para mudança vai exigir analisar se ela é realmente necessária. E esse é o ponto.


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