O MagaLu foi o vencedor da loja do ano no Prêmio E-Commerce Brasil e a implantação de metodologia ágil foi fundamental para a conquista

 

A metodologia ágil é uma ideia que vem ganhando cada vez mais força nas empresas. Os métodos para facilitar o gerenciamento de projetos reduz os custos e traz mais eficiência. Com o Magazine Luiza não é diferente, a gigante do varejo implantou as ideias da transformação ágil e vem colhendo os resultados de toda essa mudança de mindset.

Henrique Imbertti, Diretor de Agilidade Organizacional do LuizaLabs, revelou os segredos do Magazine Luiza na implantação da metodologia ágil e como a empresa faz para gerenciar tudo que desenvolveu.

Para começar, Imbertti afirma que é necessário compreender os conceitos de metodologia ágil. Em 2001, foi publicado o Manifesto Ágil que declarou os valores e princípios do desenvolvimento ágil de software. No total, são 4 valores e 12 princípios. No decorrer da década, o Novo Manifesto Ágil definiu o que são métodos ágeis em quatro princípios: melhorar as pessoas; entregar valor a todo instante; tornar a segurança como um pré requisito, e experimentar e aprender rápido.

Todos esses conceitos serviram para definir a agilidade organizacional. De acordo com a McKinsey, agilidade organizacional é a capacidade de uma organização se renovar, se adaptar, mudar rapidamente e ter sucesso em um ambiente mutável, incerto e turbulento.

Metodologia ágil no MagaLu

O LuizaLabs, laboratório de Tecnologia e Inovação, era um projeto para desenvolver a tecnologia no MagaLu que começou em 2011 com dois funcionários. O projeto ganhou destaque e relevância dentro da empresa e assumiu cada vez mais áreas. Em 2017, quando iniciou o trabalho de transformação ágil, o LuizaLabs já contava com 395 funcionários. Hoje, o departamento possui 804 colaboradores.

Em 2019, o MagaLu é referência no varejo digital e nas implantações tecnológicas dentro dos processos nas lojas físicas. O LuizaLabs é o responsável por toda essa Transformação Digital do Magazine Luiza e lida cada vez mais com novos projetos e inovações.

Para a equipe não se perder nas tarefas, Henrique Imbertti conta que implantou os métodos ágeis para facilitar as trocas de informações e gerenciamento de projetos no LuizaLabs. Imbertti definiu alguns estágios que ajudaram no processo e revela que, para uma organização introduzir a transformação ágil, deve conter os seguintes aspectos:

Terreno fértil para a agilidade: para implantar os métodos ágeis em uma organização o primeiro passo é ter um terreno fértil para a agilidade. A organização deve proporcionar a cultura de criatividade e incentivar os colaboradores a inovarem.

Apoio das lideranças: os líderes devem incentivar as práticas ágeis e permitir as pessoas errarem e aprenderem com os erros.

Criar algo separado: crie algo separado para depois se juntar aos poucos. Desenvolva os projetos individualmente.

Unificar produto e tecnologia: produto e tecnologia devem caminhar juntos. Vivemos a era da Transformação Digital.

Times pequenos e multidisciplinares: times de 5, 8 ou 10 pessoas e com uma missão clara. Organize para que seja o mais ponta a ponta possível. É muito importante que os times consigam resolver as tarefas dentro da equipe.

Indicadores de impacto: os indicadores de impacto do projeto ajudam a mensurar o sucesso. Não deixe de analisar esses resultados. A LuizaLabs utiliza principalmente dados de NPS, MAU e CR.

Desdobramento de estratégias: faça análises de quais estratégias podem trazer grandes resultados para os projetos.

Visualização e Comunicação: otimizar reuniões e pensar nos resultados. Pare de começar e comece a terminar.

Assim como é importante manter os aspectos positivos, tenha cuidado com pontos que podem prejudicar o processo. Algumas dicas válidas, de acordo com Imbertti: não deixe terceiros trabalhando no core ou conduzindo a transformação; evite muitas pessoas sem experiência no papel, pessoas com papel duplo ou com o papel errado; não tente remover todas as zonas cinzas; não deixe de compreender o contexto e de entender que ele pode mudar também.

 

Metodologia ágil à brasileira

Não adianta tentar implementar as metodologias ágeis sem levar em consideração a cultura do brasileiro. É o que diz Henrique Imbertti. O diretor utilizou dados do livro “Gestão à brasileira”, de Betania Tanure, para compreender como as pessoas reagem às transformações no Brasil. Na obra, a autora define três traços relevantes dos brasileiros que se diferenciam dos demais países e devem ser considerados no processo de implantação de metodologia ágil.

1- Flexibilidade

O brasileiro tem adaptação mais fácil e rápida às mudanças, além de possuir muita criatividade comparado aos demais. Porém, existe ainda a cultura do “combina e não cumpre”, indisciplina e não seguir regras, o que abre portas para a corrupção.

2- Relacional

No Brasil, as pessoas são calorosas e desempenham grande força de grupo, o que dá uma energia extra no trabalho. O lado negativo desse calor humano é que os feedbacks de melhoria muitas vezes são levados para o lado pessoal. Outra característica negativa é a omissão. Imbertti afirma que o brasileiro cresce com a mentalidade de que “ser dedo duro é feio”.

3- Poder

Nas organizações brasileiras é comum vero poder na mão de poucos. O fator positivo desse aspecto é a agilidade nas decisões para lidar com caos e crises. Entretanto, isso pode gerar um conformismo dos colaboradores, e, sem a vontade de assumir o papel, delegam as decisões para cima. Em relação a poder, o brasileiro possui ainda um sentimento de medo atrelado e acaba por evitar conflitos, além do costume de procurar culpados.

 

Dicas para implantar metodologia ágil

Henrique Imbertti terminou a apresentação no Fórum E-Commerce Brasil com algumas dicas para quem deseja implantar metodologia ágil. Segundo o executivo, existem cinco:

  • Veja a agilidade como um meio para atingir algo;
  • Quanto mais foco no ponta a ponta, maior a chance de ganhar tração por conta dos resultados (interações ágeis);
  • Limite o WIP (work in process) em todos os níveis;
  • Desenvolva pessoas;
  • Crie multiplicadores internos.

“Ágil não procura culpados, mas aprendizados”, Henrique Imbertti.

Sobre o Autor

é jornalista formado no Centro Universitário de Brasília – UniCEUB. Analista de Comunicação no grupo Digitalks, Gabriel também tem experiência na área de jornalismo político. Trabalhou em agências de comunicação e na Câmara dos Deputados. Gosta de produzir conteúdos digitais e foca no Marketing Digital.

Você também pode curtir

Deixe um comentário