Dúvidas e inquietações cotidianas que não estão nos livros – Parte 2: Times

Em uma abordagem ágil, onde os pressupostos passam por multidisciplinaridade e times auto-gerenciáveis, um dos pontos de atenção ao se montar times é o nivelamento de conhecimento dos indivíduos. Montar essa divisão requer conhecimento sobre as pessoas, o que inclui: quais são suas capacidades técnicas, dificuldades, qualidade de entrega, perfil, limites (o que ainda não conseguem entregar),  etc. Além disso, é preciso conhecer bem as demandas que entram, e se possível ter uma estrutura de times onde qualquer pessoa consiga conduzir a entrega sem muitas dificuldades.

O ponto acima pode não fazer sentido para alguns domínios, mas um time de tecnologia por exemplo, possui diversas competências que são difíceis de serem assimiladas no médio / curto prazo. Um desenvolvedor pode demorar meses e até anos para aprender uma tecnologia que será essencial para realizar a entrega. Por isso, ao montar um time é preciso mesclar diversos níveis de conhecimento, com a finalidade de que uns ensinem os outros e todos os times possam evoluir suas competências igualmente. 

A montagem de times desbalanceados podem trazer alguns problemas. No caso de times muito “fortes”, ocorre a falta de troca de experiência e aprendizado (os skills que dominam são muito parecidos), além da valorização de “heróis” que salvam o job, tendo em vista que possuem mais facilidade para a entrega. No caso de times compostos por quadros mais iniciantes, também gera a falta de aprendizado, contudo composto muitas vezes da dificuldade de realizar o trabalho, o que impacta na entrega e também na moral dos indivíduos, que muitas vezes realizam um bom trabalho, mas poderiam ser melhores aproveitados se estivessem inseridos em um ambiente de maior troca e aprendizado.

Por esse motivo, acredito que não basta montar times menores e magicamente colherá entregas mais “rápidas” e com valor. As pessoas possuem sim, níveis diferentes de conhecimento e autonomia, conhecimento este que impacta diretamente na entrega. Se estes pontos não forem levados em consideração, no pior dos casos, o time poderá ser muito sacrificado, o que não é sadio.

Por fim, é preciso conhecer bem as entregas que entram e suas complexidades, e mais ainda, os indivíduos que as tangibilizam. Esse é um processo que requer tempo, histórico (das pessoas e dos projetos), dados e um pouco de feeling, mas que valem muito a pena, pois além do balanceamento de cargas, estará lidando com o aspecto humano.

No próximo artigo, falaremos sobre alocação, um assunto que com certeza possui relação direta com os times.


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