A partir do contexto histórico dos últimos 15 anos, vamos entender como surgiu a figura do Líder de Projetos dentro das agências de publicidade

 

Por Gabriela Manzini, Head de Conteúdo no Mestre GP*

Começamos aqui uma série de artigos que pretende mostrar um pouco mais sobre o universo do Gestor de Projetos, mais conhecido como GP (os textos foram inspirados na última turma do Curso de Gerenciamento de Projetos do Mestre GP). Os encontros são semanais e ocorrem sempre em uma agência diferente do mercado publicitário, o que também permite vivenciar diferentes culturas organizacionais e sentir na pele a mudança ágil que vivenciamos no nosso setor atualmente.

Vamos então começar a entender um pouco mais sobre o perfil do GP no atual cenário do mercado publicitário?

Segundo a diretora geral de operações da Y&R, Jaqueline Travaglin, “todo mundo que vem para ser gerente de projetos tem um probleminha de não conseguir ter zona de conforto”. Já começa aqui um pouco do perfil curioso e estimulante deste profissional.

A fala foi confirmada pela diretora de Operações na Hogarth, Vanessa Mendes, que contou de um conselho pessoal que recebeu há 13 anos sobre sua personalidade: “Vanessa, você precisa aprender a viver fora do caos!”, relembrou a executiva. “Acho que está muito no nosso sangue isso, a gente vê uma confusão e se mete no meio”, brincou. Jaqueline e Vanessa foram as professoras do Módulo 1 do curso do Mestre GP.

Brincadeiras a parte, o que se espera de um verdadeiro líder de projetos?

Dos tempos da tecnologia e era Mad Men ao Líder de Projetos

Para compreender o atual cenário, é válido resgatar o passado.

O gerente de projeto surgiu pra gerenciar grandes projetos, de infra-estrutura, de engenharia. “Esse cara era extremamente necessário porque ele gerenciava grandes projetos parrudos e duravam anos”, explicou Vanessa.

O GP vem para a propaganda quando surge o digital.

Antes, existia um organograma no mundo da propaganda no qual os criativos eram
“as estrelas” e trabalhava-se muito com o Atendimento para fazer negócios [ lembram da série clássica “Mad Men”?]. O formato estava por muito estabelecido há anos nas agências. Com o surgimento do Digital, surgiram outros pilares de trabalho e o escopo de processos aumentou.

Com a palavra de ordem do digital, os profissionais começaram a precisar a entender de User experience (UX), Business Intelligence (BI), games, além de mídia. E a dinâmica da agência foi afetada fortemente. Muda-se o cenário da forma de operação dessas agências. “O trabalho começa depois que ele vai pra rua, ele não finaliza”, ensina Jaqueline.

Do outro lado, os clientes começaram a estudar sobre digital e deixaram de delegar para a agência operações antes externas. Com a chegada no Analytics, o cliente começa a ter o poder da informação: ele sabe tudo que está acontecendo na campanha dele, em tempo real, e ele não precisa mais esperar o final do trabalho e relatórios para saber o resultado. “Ele deixou de depender da ação da agência”, explica Vanessa.

Assim, o poder que era detido pelos veículos junto das agências se torna pulverizado e o cliente passa a questionar as ações de sua campanha com os dois agentes. “E quando ele [cliente] tem o poder da informação, ele começa a discutir verba. E aí começa o tumulto”, finaliza Vanessa.

A mudança econômica e a evolução da tecnologia embasa tudo isso“, explica Jaqueline.

“Tudo isso é um movimento que não tem volta. Hoje, o movimento que temos aqui dentro [da agência] é a desconstrução do que é uma agência. Tínhamos o conceito de que [a essência] era agenciar algo, e agora, é sobre construir algo. [Hoje] a agência tem que estar ligada 100% na receita e rentabilidade do cliente” – diretora geral de operações da Y&R, Jaqueline Travaglin

Claro, esta é uma breve história extremamente reduzida dos últimos 15 anos do mercado publicitário. Mas a partir do contexto, fica mais fácil compreender o surgimento do papel do GP nas agências.

Hoje, o universo do GP passa pela Transformação Digital que toda a indústria da comunicação e marketing está passando. E qual a melhor forma de se organizar frente às mudanças? “Organiza. Processo. Processo é onde você descobre o ralo do dinheiro”, declara Vanessa.

 

*Gabriela Manzini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo, trabalha com comunicação desde 2008 e é especialista pós-graduada em Comunicação Corporativa pela Cásper Líbero com nanodegree em Marketing Digital. Atua hoje com comunicação estratégica, marketing digital, especialmente marketing de conteúdo e inbound. Em suas passagens por agências de comunicação e marketing, já atendeu clientes como Microsoft, Philco, Wacom Brasil, Toshiba Brasil, Citibank, Credicard Hall, Omron, Internacional Shopping Guarulhos, e os cantores Fábio Jr. e Paula Lima. Na área corporativa, trabalhou no departamento de marketing da Shoestock e é a atual Head de Conteúdo do Digitalks, empresa do grupo iMasters, referência em marketing digital no Brasil. Possui ainda expertises em planejamento estratégico, design thinking para inovação, comunicação interna e endomarketing, além de prestar consultoria em mídias sociais para pequenos negócios.

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