Para descobrir, o Mestre GP entrevistou especialistas em concepção, desenvolvimento e implementação de metodologias ágeis

 

As agências e empresas estão cada vez mais na busca de soluções Agile. Em razão de entregar mais produtos, jobs e campanhas, e tudo na metade do tempo. Porém, a implementação do framework precisa de atenção, principalmente, no entendimento das metodologias. O modelo Agile sem organização pode trazer resultados desastrosos e a culpa nem será dos métodos.

Na busca de coletar experiências do mercado na implementação das metodologias ágeis e ajudar agências que querem começar com o Agile, o Mestre GP entrevistou Alexandre Sgarbi, diretor-executivo da Cosin Consulting. A consultoria é especializada na concepção, desenvolvimento e implantação de soluções customizadas, baseadas em metodologias ágeis e em uma estrutura robusta de gestão de projetos. Confira a entrevista completa.

 

Mestre GP⇒ Quando vocês optaram por seguir as metodologias ágeis? Quais seguiram?

Alexandre Sgarbi⇒ Normalmente, buscamos usar metodologias ágeis em todos os projetos que executamos como uma maneira de apresentar resultados ao longo de todas as etapas junto a nossos clientes, permitindo maior efetividade tanto na captura de benefícios quanto no refinamento das próprias soluções (bastante conhecido como aprendizagem pela experiência – ou, no termo em inglês bastante usado, test & learn).

Usamos uma mescla das metodologias que mais se adaptem à realidade do momento, seja Design Thinking quando precisamos de uma visão mais aberta e “fora da caixa”, seja alguma outra forma com o desenvolvimento faseado de soluções funcionais que iniciam-se simples e vão agregando complexidade conforme se provam maduras em operação.

 

MGP⇒ Quais têm sido os desafios na implementação?

AS⇒ Acredito que o maior desafio seja o entendimento (por todos os envolvidos) que uma metodologia ágil não significa desenvolver “pela metade”, ou seja, não estamos dividindo uma entrega em vários pedaços sem função, mas sim simplificando uma versão do produto final. Esse é o conceito comumente conhecido como MVP (importado do inglês, Minimum Viable Product, ou Produto Mínimo Viável, em tradução livre). Significa que qualquer entrega é um produto completo, totalmente funcional.

Um bom exemplo teórico que gostamos de utilizar é supor que estamos querendo criar um veículo. Logo imaginamos um carro como ideal. Se fôssemos pensar em um MVP, não iríamos entregar a carroceria com rodas (que seria um carro “pela metade”), mas sim um veículo simples, mas totalmente funcional – um skate, por exemplo, que atende às características de veículo (possui rodas e transporta pessoas). Uma evolução seria transformá-lo em patinete, onde haveria uma maneira de guiá-lo.

Posteriormente, agregar estrutura de bicicleta com tração sem impulso no piso, depois uma motocicleta, e assim por diante. É um exemplo simplista, mas que representa o objetivo prático da metodologia.

Trazendo para termos reais, suponha uma atuação onde suportaremos a Inteligência de Mídia de nosso cliente: o produto final é uma estrutura complexa de análises que sugerirá as melhores alocações nas mídias disponíveis de acordo com objetivos e mensuração de retorno contra a estratégia de mídia da companhia.

Porém, é possível começar simples e incrementar aos poucos a análise, iniciando com uma mídia única (ex. Offline e alguns dados de audiência), complementando com dados de venda (dados de varejo, ou institutos de pesquisa, etc.), posteriormente agregando outras mídias e suas interconexões entre as campanhas, novas visões de marca e cliente, etc. Cada etapa permitirá um resultado prático no escopo já entregue, não apenas gerando esse benefício em curto prazo, como também auxiliando o processo de amadurecimento e refinamento das ideias previstas para as próximas etapas.

 

MGP⇒ O que já demonstrou resultado com as metodologias?

AS⇒ Conseguimos demonstrar resultados de análises e proposições no formato de ações que podem ser implementadas rapidamente. Além disso, uma possível falta de informações ou definições não trava toda a evolução da solução ou produto, bem como também não impactarão complexidades que causem demora em definições. Ao consumir o resultado das primeiras versões das entregas, os clientes entendem melhor o contexto do que está sendo proposto, além de contribuir para sua evolução com idealizações e discussões ricas em conteúdo prático e viável. No final das contas, o engajamento é de todos os envolvidos por terem partilhado os primeiros resultados e construído juntos as evoluções (no exemplo de Inteligência de Mídia, seria já uma melhor utilização da verba em alocações que gerem comprovadamente o retorno esperado).

 

MGP⇒ O ágil pode ser bom para todas as áreas de uma empresa?

AS⇒ Não necessariamente. Mesmo em uma única área, dependendo da aplicação proposta, pode ser um ‘Cavalo de Tróia’. É sempre importante entender que as metodologias ágeis exigem experiência da equipe envolvida (ao menos, a equipe sênior), para que os produtos e as entregas sejam concebidas de maneira ordenada, estruturada e, principalmente, que tenham conteúdo prático e útil (e não sejam apenas cascas com protótipos isolados com dados preparados exclusivamente para demonstrações), ou desenvolvimentos com pouco esforço de elaboração que não resultem em informações úteis.

O ágil deve ser utilizado quando se pode ter uma visão clara de onde se quer chegar, e existem maneiras de construir entregas parciais funcionais que poderão ser evoluídas para as entregas idealizadas (caso uma primeira versão seja desenvolvida e, para evoluí-la seja necessário reconstruí-la, a não ser em casos super específicos onde o custo-benefício justifique essa decisão, é um retrabalho onde não deveria ser considerada a metodologia ágil, ou a concepção das primeiras entregas não foi corretamente realizada pela senioridade e experiência dos envolvidos).

 

MGP⇒ O que não fazer na implementação de metodologias ágeis?

AS⇒ Não se deve entender uma implementação com metodologia ágil como uma entrega feita de qualquer maneira sem organização. É importante planejar o que será feito, decidir e priorizar o que irá compor cada entrega e criar um mínimo de documentação e estrutura.

Não se deve gerar produtos que não sejam funcionais (ou seja, que não atendam 100% ao objetivo que se propõe) – isso não significa que não possam existir etapas manuais ao longo da 1ª, 2ª, 3ª entregas, mas é importante que exista uma explicação do motivo por que esses itens ficaram de fora (para não parecer que foi feito sem foco ou profissionalismo), pois foram retiradas da primeira versão por agregar complexidade e permitir um benefício de curto prazo, e que está prevista sua resolução para a próxima entrega, ou que minimamente esteja prevista em um cronograma de evolução.

Não se deve imaginar que qualquer um consegue se estruturar para realizar projetos usando a metodologia apenas por ler sobre o assunto. É importante, ao menos, que a liderança da equipe tenha alguma experiência no assunto para conduzir corretamente a estruturação das ações e entregas previstas.

Sobre o Autor

é jornalista formado no Centro Universitário de Brasília – UniCEUB. Analista de Comunicação no grupo Digitalks, Gabriel também tem experiência na área de jornalismo político. Trabalhou em agências de comunicação e na Câmara dos Deputados. Gosta de produzir conteúdos digitais e foca no Marketing Digital.

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