Em dois dias seguidos eu pude conversar com dois profissionais de Projetos de agência que eu admiro demais, pessoas que eu agradeço muito em poder sentar e conversar. Eu repito e sempre reforço, que privilégio poder ter essas conversas!

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Mas o papo aqui não é sobre esse privilégio e sim sobre como as duas pessoas, sem nenhuma orientação prévia, durante a conversa levantaram a mesma questão: a invisibilidade do valor da Gestão de Projetos – falando da figura profissional e da disciplina – e claro, esse retrato sobre a agência de publicidade.

Antes de tudo isso não é um julgamento (sobre nada) e sim uma reflexão que fizemos nessas conversas e achei bacana compartilhar.

Cada um destes profissionais comentou de situações diferentes onde essa percepção de benefício da Gestão só foi percebida na ausência deste trabalho, ou seja, cada um destes profissionais realizou um trabalho profundo de organização de processos, estruturação de fluxos de trabalho, fez uma organização da comunicação das pessoas e times de áreas diferentes, promoveu soluções de alinhamento de briefing x escopo x valor (não preço) do projeto para o cliente, definiu cronogramas, sem falar na visão estratégica da Operação com rentabilidade, gestão de contratos e etc, ou seja, organizou a casa! É o que nós fazemos! Então qual foi o problema?

Essas duas pessoas saíram das respectivas agências onde estavam, naquela ocasião, e BUM, o mundo caiu, nada funcionava, tudo atrasava, ninguém sabia o que era pra ser feito, e por aí vai, e foi SÓ neste momento que a liderança da agência se deu conta do trabalho que aquela pessoinha chamada ‘Gerente de Projetos’ estava fazendo, só na ausência, na dor, o real valor que foi percebido que trabalho era vital para o sucesso dos projetos da agência.

Alguma novidade até aqui? O GP é um super-herói? NÃO! Mas percebi que pra muitos essa é uma realidade diária, o GP precisando todo dia provar seu valor, provar porque está ali, e em boa parte dos casos sem o reconhecimento do seu trabalho. Não estou dizendo aqui que ele precisa de uma festa, de um parabéns todos os dias, não, várias pessoas carregam esse piano com o GP, mas vou usar a expressão que um destes profissionais me falou “parece hoje que meu papel é empurrar o time e não puxar, eu preciso estar lá atrás fazendo todo mundo ir pra frente pra que o time brilhe, pra que o projeto seja entregue, mas isso também muitas vezes não evidencia todo o trabalho de uma boa Gestão”.

É algo que eu comento sempre que posso quando vou em alguma palestra ou em qualquer espaço de conversa, qualquer trabalho de Gestão mostra algum resultado no médio / longo prazo, raros os casos onde do ponto de vista de Gestão você executa algo que no dia seguinte tudo mudou, leva algum tempo pra essa percepção aparecer e aí que mora a dúvida do valor. Claro, vários outros aspectos da nossa indústria levaram a este cenário, mas o papo aqui não é esse, o papo aqui é que vamos ver muita gente dando valor pra disciplina de Gestão de Projetos na hora da dor, e isso não é bom, pra ninguém.

E fica um convite para uma websérie que lançamos chamada “Destruindo Mitos”, vamos tratar de alguns paradigmas perigosos que o mercado publicitário criou em torno da gestão de projetos. São episódios semanais, totalmente ONLINE e GRATUITO, inscreva-se aqui.

Sobre o Autor

Fomento o compartilhamento do conhecimento, da experiência como entrega prática e da conexão como a transformação real. Fundador do Instituto Mestre GP, também atua como professor.