Não é “só” trabalho. É a sua vida

Gostando de futebol ou não, eu apostaria que você já disse ou escutou uma destas frases: “Isso é só futebol” ou “Isso é só trabalho”. Será mesmo?

De maneira alguma quero defender a cultura
workaholic, pois acredito no que o Sr. Miyagi já dizia: — “Bom equilíbrio é o segredo”. Mas cada um sabe onde aperta o próprio calo e a melhor estratégia para seus objetivos ou necessidades, lembrando que,  hoje em dia tudo está junto e misturado devido às redes sociais, você tem seu tio que posta receitas e a Diretora de Criação no seu feed. A ideia aqui é pensarmos como o trabalho e seu ambiente têm impactos em nossa vida e às vezes, deixamos passar despercebidos.

Você já parou e pensou tudo o que a sua profissão te trouxe? Não estou falando de dinheiro exatamente, mas sim de experiências, pessoas, amigos, parceiros, gatos e “catioros”. Ah, inclua aqui também faculdade, pós, cursos, etc.
Meu ponto de vista foi moldado trabalhando no mercado de comunicação e marketing, mas tenho certeza que isso também acontece em outras áreas. A diferença é que, ter estudado ou trabalhado em comunicação, já facilita consideravelmente as relações interpessoais. 

Eu venho de uma família simples, da Zona Norte de São Paulo, do Tucuruvi mais precisamente, e escolher trabalhar com publicidade mudou minha vida completamente e para sempre, desde o primeiro dia na faculdade de Publicidade e Propaganda. A partir deste momento fiz amigos para vida toda, estudando, trabalhando, passando finais de semana com essas pessoas. Claro que o nível de amizade e o contato com alguns foram mudando, mas me fale do fundo do seu coração, você acha possível não criar intimidade com pessoas que estão três ou quatro madrugadas com você para entregar um job ou mesmo passando oito horas por dia (o que seria o certo) ao seu lado?

Você passa mais tempo com essas pessoas do que com a sua família, até que elas também venham a fazer parte  da sua família. São essas pessoas que muitas vezes te escutam reclamar de algum problema pessoal, te pedem um conselho, reclamam do chefe, te abraçam em um dia de tristeza, ansiedade ou depressão, te ajudam quando seu filho está doente e você não pode ir trabalhar e tem paciência com o seu luto. Os problemas e as alegrias da nossa vida não param durante o horário comercial, mas repare que sempre, ou quase sempre, tem alguém do seu trabalho para compartilhar esse momentos.

A minha profissão fez, faz e sempre fará parte da minha vida. Claro que eu tenho relacionamentos fora do trabalho, mas preciso dizer que, as pessoas mais importantes da minha vida vieram diretamente da minha escolha profissional. Não acredita? No meu casamento somente três dos padrinhos e madrinhas não tinham relação alguma com trabalho, e o mais importante, a noiva, eu conheci na agência! Ano passado celebramos dez anos juntos. Eu agradeço a cada um que fez e faz  parte dessa história profissional e de vida do fundo do meu coração, pois sem cada um deles talvez eu não estivesse aqui escrevendo agora.

Minha reflexão sobre o assunto é antiga, mas voltou durante a pandemia, pois pensei “Como essa geração mais nova  que vai trabalhar só de home office vai interagir com outros seres humanos? Amigos serão feitos via Zoom? Flertes serão feitos via Meet? E os laços vão ser criados pelo WhatsApp?”. Compartilhando esses pensamentos com algumas pessoas, uma amiga sábia disse: – “Essa preocupação é sinal que você está ficando velho. As novas gerações vão dar um jeito.” Tirando a parte que estou ficando velho, espero mesmo que ela esteja certa.

Você já disse algo de bom para alguém que trabalha com você hoje?

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Imagem (Foto: Renao Aoki)


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